A descoberta da dor


É sério, isso dói e dói muito. E as pessoas ficam me dizendo como devo ser, o que devo usar, como devo falar e onde devo estar. Eu estou tão cansada, de verdade, de todos. Meus amigos, família, namoro, pessoas. Poxa, me deixem em paz, por favor, eu fico todos os dias me martilhando por dentro e me matando por dentro procurando jeitos de ser e como ser. Me deixa eu estou cansada de me adaptar o tempo todo. De estudar, o tempo todo. E tentar recuperar o passado que eu perdi, chega. Eu não sou uma maquina de computador em prontidão para realizar as vontade de todos vocês, eu já sou tão boa o quanto eu já fui e o quanto ainda vou ser, chega! Libera-me, dói e dói, dói fingir que estou triste, decepcionada e falta de ideais. Eu não sei cadê minhas referências, todas estão tão perdidas de mim, de si e de nós. Então porque insistis em ditar regras e normas para mim? Poxa me deixa, todos vocês. Se eu quiser sair pelada na rua. Eu posso. Se eu quiser gritar. Eu posso. Se eu quiser chorar. Eu também posso. Ruim, é sorrir e fingir que esta tudo bem. Vocês não sabem o quanto dói. Por dentro. O quanto me sinto sozinha, mesmo rodeada por muitas pessoas. Eu estou doente. Eu sei que estou! E talvez eu nunca me cure. Essa dor não passa e talvez nunca passe mesmo. Eu gostaria de aprender a viver apesar dela, e com ela. Olhar-la como algo único e meu. Um jeito de funcionar diferente do de vocês.  Sabe vida você às vezes é tão difícil. Me arranca suspiros.
Desde a hora que acordo. Até a hora que eu deito. Tenho protocolos o dia inteiro para seguir. Sei o que vai ser e o que vou fazer. Sei a hora que vou dormir. Sei a hora que vou comer. Me da trégua. Me deixa viver errado na corda bamba. Você nunca deixou. Deixa-me arriscar e apostar fichas sem saber se vai dar certo. Deixa vida eu sorrir só por sorrir. Eu gritar por gritar, e se incomodar os outros depois eu vejo o'que faço. Me deixa chorar, minha criança interna viveu em um universo onde errar era a maior bobagem. Onde gritar era escândalo. Onde amar era coisa de gente feia e sem juízo, Deus, me deixa perder meu juízo. Em paz. Deixa eu. Só me deixa. Eu quero ser inconsequente, inconsciente, insurgente e convergente. Eu quero convergir o mundo, além das paredes do meu quarto, eu quero transcender o universo e chegar ate Marte. Eu preciso viver isso. Eu preciso viver a mim mesma. Eu quero me separar de tudo que não me solta. Eu quero voar e voar o mais alto que eu conseguir e não pensar em voltar.
                                                                                            -  (P.R)

Pintura:

Mendanhas-Arte

Comentários